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Mudança nas regras

17/01/2018

A venda de crédito ficará mais fácil nos próximos anos. A entrada neste mês da Taxa de Longo Prazo (TLP), que passa a servir como referência para os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), abre oportunidade futura de captação de recursos para a instituição de fomento. A partir dos desembolsos em TLP, o BNDES vai constituir uma carteira de crédito que poderá ser objeto de venda, em operação de securitização, desde que haja condições de mercado favoráveis e que a transação não represente perda financeira. Na transação, o banco recebe, em contrapartida, o valor de mercado pela sua carteira de crédito. Até agora nunca houve no BNDES uma operação com essas características e condições. LEIA MAIS BNDES anuncia ampliação de linhas de crédito para pequenas e médias empresas A possibilidade de securitização da carteira de crédito do BNDES foi um dos argumentos utilizados pela antiga diretoria do banco, na gestão de Maria Silvia Bastos Marques, para criar a TLP. Na época, os diretores afirmaram que a adoção da TLP abriria alternativas de captação de recursos que o banco, até então, não dispunha. Na securitização, os ativos são "empacotados" na forma de títulos para venda a investidores.

                Na visão do BNDES, a securitização da carteira trará benefícios à instituição, como a redução do prazo médio de giro dos ativos, aumentando a disponibilidade de recursos; permitirá a manutenção do ritmo de apoio a projetos, sem pressionar o consumo de capital; facilitará a gestão à exposição a riscos de créditos individuais; e vai possibilitar ao banco realizar operações de longo prazo de maturação sem precisar manter os créditos em carteira até o vencimento. Até agora, a dificuldade do BNDES para acessar o mercado em operações de securitização estava no fato de o banco ter uma carteira lastreada na TJLP, taxa determinada de forma arbitrária pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Uma fonte disse que seria difícil alguém comprar um título de longo prazo, indexado a TJLP, uma vez que o governo poderia utilizar a taxa como parte da política monetária, impondo riscos de perda a quem tivesse comprado o papel. Segundo fontes, existem várias possibilidades de securitização para o BNDES, incluindo a transferência da carteira de crédito para um fundo de recebíveis, venda para outros bancos, fundos de hedge ou fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC).

                No mercado, a visão é que o BNDES, quando tiver a oportunidade, deverá fazer a venda final, chamada de "true sale", em que vende os créditos e quem compra assume todos os riscos da carteira. A área técnica da superintendência financeira do BNDES disse que essa é uma questão a ser estudada na estruturação da operação. Hoje, dado o contexto de mercado, o BNDES não encontra condições competitivas para vender sua carteira de crédito. Uma fonte disse que é difícil vender a carteira porque ninguém vai comprar um papel com base na TLP, que paga IPCA mais 2,7% ao ano, quando existe um título no mercado, a NTN-B de cinco anos, que remunera o investidor com IPCA mais cerca de 5% ao ano. Entretanto, em cinco anos TLP e NTN-B devem convergir.

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FONTE: http://www.gsnoticias.com.br/noticia-detalhe/economia-negocios-financas/bndes-planeja-captar-recursos-venda-credito-atrel

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