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Títulos públicos negociados no Tesouro Direto chegam a desvalorizar quase 8% em setembro

01/10/2021

SÃO PAULO – Para quem negocia títulos públicos no Tesouro Direto, setembro foi um mês de fortes emoções.

De um lado, a remuneração oferecida pelos papéis aumentou, na esteira da elevação dos juros – o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central fixou a Selic em 6,25% ao ano na sua última reunião – e da expectativa que o movimento se prolongue até o fim de 2021.

Mas para quem já tinha títulos públicos na carteira, conferir o saldo dos investimentos não foi lá a melhor experiência. Devido ao processo de marcação a mercado, os papéis em circulação desvalorizam quando os juros sobem – e foi exatamente isso que aconteceu em setembro.

No mês, a desvalorização dos títulos públicos atrelados à inflação de prazo mais longo foi digna de renda variável. O valor do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, por exemplo, recuou 7,77% em setembro. A título de comparação, o Ibovespa – principal índice de ações da Bolsa brasileira – caiu 6,57% no mesmo período.

Esses papéis oferecem ao investidor a variação do IPCA, que é o índice de inflação oficial do país, mais uma taxa estabelecida no momento da compra. No último dia de setembro, a taxa era de 4,88% ao ano.

Entre os títulos de inflação, outros também tiveram desempenho bastante negativo. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 recuou 3,92%. Já o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e vencimento em 2055 desvalorizou 3,95%.

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Entre os papéis prefixados, o pior desempenho foi o do Tesouro Prefixado com Juros Semestrais e vencimento em 2031, com um recuo de 4,04% em setembro. Ele foi seguido pelo Tesouro Prefixado com vencimento em 2026, cujo valor caiu 2,48% no período.

Fatores de risco

Uma série de fatores ainda devem manter o cenário nebuloso para os mercados, com reflexos sobre as aplicações de renda fixa, a exemplo dos títulos públicos. A inflação, por exemplo, tem se mostrado um problema persistente, com os aumentos de preços se espalhando de maneira generalizada entre as diversas categorias de consumo.

Na ata da última reunião do Copom, realizada no dia 22, a autoridade monetária informou que ponderou subir os juros para além dos 6,25% ao ano, mas considerou que o nível seria adequado para garantir a convergência da inflação para a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2022, de 3,50%.

Mas as elevações não devem parar por aí. O Banco Central já indicou que pretende realizar mais duas elevações de 1 ponto percentual ainda neste ano, levando a Selic para um patamar que considera “significativamente” contracionista.

Também persistem as incertezas quanto à trajetória fiscal do país. Não há, por ora, definições claras quanto ao projeto de reforma tributária que tramita no Congresso Nacional, tampouco um consenso sobre como proceder com relação ao pagamento de precatórios em 2022 – a conta somará cerca de R$ 89 bilhões no próximo ano.

Membros da equipe econômica têm insistido na dificuldade para encontrar espaço no orçamento que acomode o pagamento dos precatórios e também o Auxílio Brasil, nova versão “turbinada” do Bolsa Família.

Não há clareza, ainda, sobre os rumos dos riscos políticos no país. Setembro foi marcado por manifestações em favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que lançou ataques contra o Supremo Tribunal Federal (STF), azedando ainda mais uma relação já conturbada com a Corte. Embora o presidente tenha recuado poucos dias depois, analistas de casas como a XP acreditam que as tensões não devem desaparecer rapidamente. Na verdade, a expectativa é de idas e vindas até as eleições de 2022.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/titulos-publicos-negociados-no-tesouro-direto-chegam-a-desvalorizar-quase-8-em-setembro/