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Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos caem nesta 2ª, apesar de expectativa de inflação mais alta e tensões políticas

04/10/2021

SÃO PAULO – O destaque da cena local nesta segunda-feira (4) está nas novas elevações previstas pelo mercado financeiro para a inflação oficial neste ano. Dados divulgados hoje no Relatório Focus, do Banco Central, apontam que agora os agentes financeiros preveem que o indicador fique em 8,51% neste ano, contra 8,45% no levantamento anterior.

Investidores monitoram ainda a informação divulgada por consórcio internacional de imprensa de que Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e Paulo Guedes, ministro da Economia, apareceram em investigações de paraísos fiscais.

Na cena externa, o mercado acompanha a necessidade de aprovação de um novo teto para a dívida pública nos Estados Unidos, o início da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e temores sobre estagflação global.

Nesse contexto, o mercado de títulos públicos opera com queda nas taxas na manhã desta segunda-feira (4). A remuneração do título prefixado com vencimento em 2026 recuava de 10,46%, na sessão anterior, para 10,38% ao ano, na primeira atualização do dia.

O juro pago pelo título prefixado com vencimento em 2031, por sua vez, caía de 11,05% para 10,96% ao ano, no mesmo horário.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2040 e pagamento de juros semestrais era de 4,91% ao ano, contra 4,96% ao ano na sessão de sexta-feira (1). Já o retorno real do Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,98%, abaixo dos 5,01% ao ano vistos anteriormente.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta segunda-feira (4): 

Taxa Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Focus

Na agenda econômica, o mercado elevou – pela 26ª semana consecutiva – as projeções para a inflação oficial este ano, que agora apontam para 8,51% no ano, contra 8,45% no levantamento anterior. Os dados são do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, na manhã desta segunda-feira (4).

Já para o próximo ano, as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também tiveram alta, de 4,12% para 4,14%.

Nesta semana, o mercado vai conhecer os dados de inflação “cheios” que serão divulgados pelo IBGE na sexta-feira (8), o que pode levar a novos reajustes nas projeções para a inflação e para a taxa de juros.

Mesmo diante de maiores pressões inflacionárias, os economistas optaram por manter as estimativas para a taxa Selic neste ano em 8,25% ao ano e em 8,50% para 2022.

O mercado também manteve a expectativa de alta de um ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), para 7,25% ao ano.

Pandora papers

Na frente política, um dos destaques do fim de semana foi a revelação de que os nomes de Paulo Guedes e de Roberto Campos Neto apareceram em investigações sobre paraísos fiscais.

A investigação batizada de “Pandora Papers” foi feita pela revista piauí, Agência Pública e pelos sites Poder360 e Metrópoles. Os veículos tiveram acesso a 11,9 milhões de documentos sobre companhias sediadas em paraísos fiscais.

As investigações apontaram que Guedes tem uma empresa offshore em um paraíso fiscal com US$ 9,55 milhões. Por meio de nota enviada à piauí, o Ministério da Economia disse que “toda a atuação privada” de Guedes antes de sua posse “foi devidamente declarada à Receita Federal e aos demais órgãos competentes, o que inclui a sua participação societária na empresa mencionada”.

Segundo os portais, Campos Neto também tinha uma offshore, mas no Panamá, com capital de US$ 1,09 milhão. O executivo é presidente do Banco Central desde fevereiro de 2019, mas fechou a offshore apenas no segundo semestre de 2020.

De acordo com nota enviada aos portais, Campos Neto argumentou que as duas offshores atribuídas a ele “estão declaradas à Receita Federal e foram constituídas há mais de 14 anos com rendimentos obtidos ao longo de 22 anos de trabalho no mercado financeiro, decorrentes, inclusive, de atuação em funções executivas no exterior”.

O mercado monitora ainda as participações de Campos Neto em evento da Associação Comercial de São Paulo, às 10h, e em live do jornal Valor Econômico, às 16h30.

Cena internacional

Enquanto isso, a atenção dos investidores internacionais está voltada para o encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), que se reúne para discutir o nível de produção de petróleo, em meio a escalada de preços da commodity.

O previsto para novembro era ampliar a oferta em 400 mil barris por dia, mas existe a possibilidade de que a produção seja elevada.

Outros fatores que vêm inspirando cautela entre investidores são a crise da dívida da incorporadora chinesa Evergrande e a necessidade de aprovação de um novo teto para a dívida pública nos Estados Unidos.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto-taxas-dos-titulos-publicos-caem-nesta-2a-apesar-de-expectativa-de-inflacao-mais-alta-e-tensoes-politicas/