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Lula destaca inflação, critica política de preços da Petrobras, defende “Estado forte” e rechaça nova “Carta ao Povo Brasileiro”

08/10/2021

SÃO PAULO – Após uma semana de encontros com lideranças políticas em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista coletiva a jornalistas nesta sexta-feira (8). Apesar de liderar nas pesquisas a um ano das eleições presidenciais, o petista não confirmou candidatura ao Palácio do Planalto e concentrou sua fala em críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Não estou candidato porque só vou decidir minha candidatura para o começo do ano que vem. Estou em uma fase de conversar com partidos, movimentos sociais, vou conversar com empresários e com a sociedade. Consertar esse país não é tarefa de um partido, é tarefa de muita gente”, afirmou Lula, que em três semanas completa 76 anos.

“Esse país haverá de ter juízo suficiente, para que, no dia das eleições, eleja alguém que respeita, que goste e que exercite a democracia em seus atos cotidianos. Seja quem quer que seja, alguém que tenha no mínimo sentimento. Alguém que tenha o sentido de humanista, que tenha o mínimo de solidariedade. Alguém que pense um pouco com o coração e pense nesse país e pare de falar bobagem”, disse.

Durante a entrevista, Lula defendeu algumas vezes uma maior participação do Estado na economia, manifestou preocupação com a escalada da inflação e da desigualdade no país e rechaçou a possibilidade de fazer acenos a lideranças empresariais e investidores nos moldes da “Carta ao Povo Brasileiro”, redigida durante a campanha de 2022.

“Quero um Estado forte, porque somente um Estado forte é capaz de acabar com a miséria desse país. É capaz de não ter medo de fazer casa popular subsidiada para o povo que está desempregado e para o povo que ganha pouco. Quero um Estado capaz de manter e melhorar o SUS. Porque o SUS, que era tão tripudiado antes da pandemia, agora está endeuzado por quem tripudiava ele”, afirmou.

“Não quero o Estado empresarial, quero um Estado com força para que ele seja o indutor do desenvolvimento. Um Estado que não tenha preocupação de fazer dívida para investir em um ativo produtivo nesse país. Um Estado que não discuta se vai financiar a Educação porque é gasto. Um Estado que cuide das pessoas sem se preocupar com os gastos de cuidar das pessoas”, complementou.

“A solução do Brasil está no fato de você colocar o pobre no Orçamento da União, no Orçamento do estado e no Orçamento da cidade, e colocar o rico no Imposto de Renda para ele aprender a pagar imposto sobre lucros e dividendos”, salientou.

Provocado, Lula respondeu declaração do empresário Pedro Passos, copresidente do conselho de administração da Natura, que, em entrevista ao jornal O Globo, disse que o país precisava “evitar a polarização entre o inaceitável e o indesejável” – que seriam, respectivamente, Bolsonaro e o petista.

“Não precisa de Carta ao Povo Brasileiro. Eu tenho um legado. O legado que eu deixei para esse país vale umas 500 cartas ao povo brasileiro. O rapaz que disse que sou indesejável devia ler. Aliás, ele devia ler quando ele cresceu no meu mandato. Ele deveria dizer o que era a Natura antes de eu chegar na presidência e o que ela virou no meu governo”, rebateu o ex-presidente.

Munido de uma “cola” com dados específicos da evolução dos preços de diversos produtos consumidos por boa parte da população, Lula manifestou preocupação com o comportamento da inflação. Segundo o IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 1,16% em setembro – maior para o mês desde 1994 –, acumulando alta de 10,25% em 12 meses.

O petista destacou as altas dos preços de alimentos como a mandioca (+45,27%), o açúcar refinado (+43,90%), o frango (+28,78%) e o tomate (+24,32%). E também dos combustíveis, que usou para criticar a política de preços adotada pela Petrobras.

“A gasolina já subiu 39%. O óleo diesel já subiu 33%. Sem nenhuma necessidade. O Brasil é autossuficiente em petróleo. O Brasil tem refinarias altamente qualificadas para refinar o óleo diesel e a gasolina que precisamos. Começamos a privatizar nossas refinarias e estamos comprando gasolina refinada dos Estados Unidos quando o Brasil era exportador, antes do pré-sal. O que está acontecendo é que a Petrobras tem uma direção que é mais importante que o presidente da República. Se ele não tem coragem de governar, coragem de dizer ao almirante que está lá que não vai aumentar [os preços], é problema dele. Significa que o Brasil está precisando de um novo presidente para poder fazer justiça com o preço do combustível”, disse.

“Não vejo sentido você querer agradar um acionista minoritário americano e não querer agradar o consumidor majoritário brasileiro. São pessoas que trabalham de táxi, são pessoas que trabalham com Uber, que vão trabalhar, pessoas que têm um caminhãozinho para trabalhar. Ele deveria estar preocupado com o preço para essa gente, e não com o acionista de Nova York. Isso só demonstra que o Bolsonaro é um garganta, é um cara que fala sem ter noção do que está falando”, complementou.

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Fonte: https://www.infomoney.com.br/politica/lula-destaca-inflacao-critica-politica-de-precos-da-petrobras-defende-estado-forte-e-rechaca-nova-carta-ao-povo-brasileiro/