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Tesouro Direto: mesmo com surpresa negativa do IPCA-15, juros dos títulos públicos recuam

25/11/2021

SÃO PAULO – A quinta-feira (25) é marcada pela divulgação da prévia da inflação oficial, que mais uma vez surpreendeu negativamente os analistas. Com isso, cresce novamente a expectativa entre agentes financeiros de que o Banco Central tenha que adotar uma postura ainda mais dura sobre os juros.

Atenção também para a votação da Medida Provisória do Auxílio Brasil, na Câmara, no início do dia. Ainda que o contexto econômico e político inspirem cuidados, os títulos públicos apresentam recuo nas taxas nesta manhã.

Na primeira atualização do dia, o Tesouro Prefixado 2024 oferecia juro de 11,83% ao ano, contra 11,87% ao ano, na sessão anterior. Da mesma forma, o retorno oferecido pelo Tesouro Prefixado 2031 era de 11,56%, contra 11,54% ao ano, um dia antes.

Com isso, a diferença entre a remuneração do título de prazo mais curto (2024) e o de prazo mais longo (2031) recuava para 27 pontos-base, contra 49 pontos-base na terça-feira. Entenda o que explica esse fenômeno em que os papéis de vencimento mais próximo oferecem juros maiores do que os de prazo mais alongado.

Já entre os títulos atrelados à inflação, às 9h20, as taxas reais oferecidas pelo Tesouro IPCA+ 2026 estavam em 5,05% ao ano – percentual inferior aos 5,10% do dia anterior. O Tesouro IPCA+ 2055, com pagamento semestral de juros, por sua vez, oferecia juros reais de 5,29% ao ano, abaixo dos 5,31% da tarde de ontem (24).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta quinta-feira (25): 

Fonte: Tesouro DiretoIPCA-15

Entre os destaques da agenda econômica estão os dados da prévia da inflação oficial de novembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 1,17% em novembro frente ao mês de outubro.

Esse foi o maior valor para o mês desde 2002. No ano, o indicador avança 9,57% e nos últimos 12 meses, já subiu 10,73%.

O indicador veio levemente acima do projetado por economistas consultados pela Refinitiv, que esperavam que ele ficasse em 1,10% frente a outubro e avançasse 10,65% na comparação anual.

O maior impacto individual no índice no mês (0,40 p.p) veio da gasolina, que teve alta de 6,62% e influenciou o resultado dos transportes, que registraram, de longe, a maior variação (2,89%) e o maior impacto (0,61 p.p.) entre os grupos pesquisados. No ano, o combustível acumula variação de 44,83% e, em 12 meses, de 48%.

Auxílio Brasil, PEC dos Precatórios e saneamento

Na agenda política, as atenções estão voltadas para a votação marcada para hoje da Medida Provisória (MP) que criou o Auxílio Brasil.

Por causa de pressões vindas do governo, Marcelo Aro (Progressistas-MG), relator da medida e deputado, retirou do seu relatório a possibilidade de reajuste anual atrelado à inflação dos benefícios do programa social do governo.

Ainda que tenha retirado tal trecho, Aro conseguiu apoio para manter as demais mudanças incluídas no relatório, entre elas, a exigência de que o governo não coloque na fila quem tem direito ao benefício. Ou seja: quem for elegível ao programa terá a garantia de que vai recebê-lo.

A MP precisa ser votada na Câmara e no Senado até o dia 7 de dezembro, quando perde a validade.

Outro tema que segue no radar é a PEC dos Precatórios. Após pedido de vista sobre o parecer apresentado por Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo e relator da PEC no Senado, a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado foi remarcada para a próxima terça-feira (30).

Ainda na agenda política, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai retomar nesta quinta-feira, o julgamento das ações que questionam o Marco Legal do Saneamento, em vigor desde julho de 2020.

O julgamento será reiniciado com a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que durante a tramitação do caso na Corte já se posicionou pela manutenção do marco. Após a sustentação da PGR, os ministros poderão iniciar o processo de votação.

Radar externo

Na cena internacional, o foco do mercado segue na piora da Covid-19 na Europa. A elevação de novos casos tem feito com que mais países implementem medidas de restrição de mobilidade. Na quarta-feira, a Itália anunciou novas medidas de distanciamento social.

Também na véspera, foi anunciado um novo acordo para governo de coalizão na Alemanha entre o Partido Social Democrata, o Partido Verde e Partido Liberal Democrata. Assim, o ex-ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, deverá se tornar o novo chanceler do país quando Angela Merkel, da União Democrata Cristã, deixar o cargo no início de dezembro.

Nos Estados Unidos, o dia é de bolsas fechadas por causa do feriado de Ação de Graças. Ontem, os principais índices americanos encerraram o dia perto da estabilidade, ou em leve alta, com a notícia de que os dirigentes do Federal Reserve, que é o banco central americano, se mostraram preparados para aumentar os juros, caso a inflação siga avançando.

“Vários participantes observaram que o Comitê deve estar preparado para ajustar o ritmo de compras de ativos e aumentar o intervalo da meta para a taxa de fundos federais mais cedo do que os participantes anteciparam, caso a inflação continuasse a correr acima dos níveis consistentes com os objetivos do Comitê”, disseram os dirigentes na ata da última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, na sigla em inglês).

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Fonte: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/tesouro-direto-mesmo-com-surpresa-negativa-do-ipca-15-juros-dos-titulos-publicos-recuam-25112021/