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Novo plano da Petrobras é “sóbrio” e “sem surpresa”, mas dividendos são destaque

25/11/2021

SÃO PAULO – A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou na noite desta quarta-feira (25) o seu plano de investimentos para os próximos cinco anos. A quantia que a estatal pretende investir passou para uma revisão, com um alta de 24%, ou US$ 13 bilhões, frente as projeções antigas, chegando US$ 68 bilhões. Mesmo com a alta, analistas definiram o plano como sóbrio e sem grandes surpresas.

Na abertura dos negócios, as ações da Petrobras abriram em alta de 1,95% e 2,54%, respectivamente, após divulgação do novo plano estratégico da estatal, que elevou em 24% os investimentos previstos para os próximos cinco anos.

Veja Também: Cobertura da apresentação do plano estratégico da Petrobras no Bolsa Ao Vivo

O Credit Suisse chamou a atenção para o alto dividend yield que a companhia promete pagar – em cinco anos, a quantia a ser distribuída, segundo projeção que leva em consideração o petróleo Brent cotado em média a US$ 55, deve ser de algo entre US$ 60 milhões e US$ 70 bilhões, um retorno de 20% sobre o preço do papel ao ano.

“Os dividendos anuais esperados a serem pagos pela empresa somam rendimento de US$ 13 bilhões (20%), mas pode ser mais se o Brent de longo prazo de US$ 60 por barril se materializar contra os US$ 55 por barril da empresa”, disse o Bradesco BBI. O plano reforçou a visão do banco de que provavelmente ocorrerá um pagamento extraordinário de dividendos neste ano.

Petrobras acena para mudança de matriz energética

O banco suíço destacou também em relatório para o fato de que a petroleira, pela primeira vez, assumiu maiores compromissos com o ESG e com a descarbonização. Apesar de a Petrobras não detalhar quanto destinará a essa iniciativa e como isso será feito, a companhia assumiu de forma inédita a possibilidade de diversificar seus negócios para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis – algo que já vem sendo feito há algum tempo por outras gigantes do setor.

O Bradesco BBI também apontou os “esforços evidentes” da empresa em reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, que ficaram em US$ 2,8 bilhões, e afirmou que a alta dos investimentos em exploração e produção (E&P) era esperada, também por conta da alta do Brent – o braço ficou US$ 57 bilhões dos aportes, ou 82% do total.

Pré-sal continua sendo grande foco

Apesar dos avanços em investimentos em ESG, apontados pelos dois bancos, o pré-sal continua sendo o grande foco para os aportes da companhia, o que não gera surpresa, uma vez que vem gerando bons resultados – “Os ativos de longo ciclo do pré-sal permitem uma sólida remuneração aos acionistas, mesmo após grandes investimentos em exploração, desenvolvimento e produção”, comentou o BBI.

O foco no pré-sal, entretanto, reduziu levemente a previsão do Credit Suisse para o Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) da Petrobras – o processo de desinvestimento em outros setores, com venda de ativos (refinarias, por exemplo), fez a companhia reduzir a sua projeção de produção de 2,3 milhões de barris por dia para 2,1 milhões.

O caixa dos desinvestimentos, porém, compensa a baixa da produção, segundo o banco, gerando caixa – se todas as vendas de ativos se consolidarem, a Petrobras deve gerar US$ 10,8 bilhões nos próximos anos.

Com isso, espera-se que a companhia consiga ainda reduzir a sua dívida líquida em algo entre US$ 10 bilhões ou US$ 15 bilhões. “O que significa que o rendimento do fluxo de caixa do acionista (FCFE, na sigla em inglês) é ainda maior, em cerca de 25%”, apontou o CS.

O BBI manteve recomendação de outperform para a Petrobras, com preço-alvo de R$ 42, frente à cotação de quarta-feira (24) de R$ 28,37. O Credit Suisse também manteve recomendação outperform para os ADRs da petroleira, com preço-alvo em US$ 14, ante US$ 10,48 no fechamento de Nova York de ontem.


Fonte: https://www.infomoney.com.br/mercados/novo-plano-da-petrobras-e-sobrio-e-sem-surpresa-mas-dividendos-sao-destaque/